V Asamblea General
Buenos Aires, 19-25 de febrero de 2007
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Consejo Latinoamericano de Iglesias - Conselho Latino-americano de Igrejas



Doença e cura nas práticas indígenas guaranis

Sao Leopoldo/ALC

As doenças disseminadas pelos imigrantes espanhóis na Província Jesuítica do Paraguai, nos séculos XVII e XVIII, obrigaram os índios Guarani a uma reformulação de suas atitudes diante da doença e da morte.

A constatação é da historiadora Eliane Cristina Fleck, que ministrou palestrano Instituto Humanitas, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), desta cidade.

A introdução e a propagação de doenças como a gripe, febre amarela, tifo, cólera, sífilis, lepra e tuberculose, não só debilitaram como também desorganizaram as populações indígenas da região, que até então eram extremamente saudáveis e só conheciam a velhice como doença, disse a professora.

Baseada nos registros das Cartas Ânuas da época, Eliana Fleck argumentou que a cura era considerada entre os missionários jesuítas um meio eficaz de domesticar os indígenas, que acreditavam na origem mágica e sobrenatural da enfermidade. As cartas revelam que os missionários condenaram e resistiram à utilização de ervas, resinas e bálsamos indígenas, limitando-se aos escassos remédios europeus, sublinhou.

Contudo, a experiência dos missionários na região acabou por comprovar a eficácia das práticas curativas indígenas, quando religiosos e xamãs começaram a travar disputas de saberes e poderes pelo controle das doenças e pela manipulação das curas e não-curas.

Doutora em História, Eliana Fleck enfatizou que sonhos, visões, rezas, ervas e sopros até então considerados como práticas diabólicas quando executadas pelos xamãs viriam a ser aplicados, com justificativa religiosa cristã, pelos missionários. Estes também acabaram por fazer intervenções mágico-curativas, revelou.

Na avaliação da estudiosa a modificação na conduta dos missionários frente às práticas de intervenção curativa não pode ser interpretada como algo contraditório, mas sim como reflexo da riqueza da interação entre culturas distintas.

 

 

 
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