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Testemunhos

O seminário Igreja e AIDS - Romper com a Indiferença através da Esperança foi encerrado com o testemunho da jovem Eliane e com a leitura por parte do Pr. Kleiner de João 13. As últimas palavras do seminário foram do Pr. Kleiner: "Deus pode transformar todo desprezo e toda solidão num ambiente de família, como fez com a Eliane. Vamos orar para que você possa levar esta semente para sua casa, seu trabalho e sua igreja para somarmos forças."

Os pastores presentes entregaram pequenos laços aos participantes, simbolizando o envio de todos os participantes do seminário ao mundo marcado pela doença, injustiça, preconceito e indiferença, mas pelo qual ainda é preciso ter esperança.

Testemunho de Eliane

Sou de uma cidade do interior de Minas Gerais chamada Nanuque. Perdi minha mãe com 8 anos. Aos 11anos, sai de casa para trabalhar. Conheci uma senhora evangélica. Morei com ela durante um ano e meio. Aos 12 anos, sai da casa dela para trabalhar de casa em casa. Com 14 anos, conheci um rapaz de 27 anos. Depois de alguns dias fui morar com ele. Em um ano, eu engravidei.

Foi então quando meu companheiro começou a passar mal. Ele foi ao médico, mas ninguém descobriu o problema. Eu estava com 6 meses de gravidez. Depois de várias vezes visitando os hospitais da capital, paramos em uma casa de apoio (Projeto Minha Casa). Ele estava muito mal e morreu em meus braços, mas eu não percebi e todos quiseram esconder de mim o fato.

Voltei para Nanuque. Depois de 15 dias, a irmã dele me chamou para conversar. Disse que ele morreu porque tinha AIDS. Fiquei desesperada, com 7 meses de gravidez. Fui a uma assistente social e ela me aconselhou voltar para Belo Horizonte. Então fui e fiquei novamente na casa de apoio. Fiz o exame e veio o diagnóstico: eu era soropositiva do vírus HIV. Senti um terrível medo: "Meu filho! Meu filho! Ele não vai sobreviver!"

O menino nasceu com vários problemas de saúde. Depois de sete dias de vida, voltou para o hospital do qual só saiu morto, depois de quatro meses internado.

Desesperada, voltei para minha cidade natal. Foi quando descobri duramente o que era discriminação. Ninguém olhava nem queria falar comigo. Tentaram até me matar. Voltei então para a capital, para a casa de apoio. Quando retornei à Nanuque para pegar as coisas que restaram do meu marido, descobri que o pai dele havia tirado tudo e proibido que eu ficasse com os pertences. Fui à delegacia e o delegado o obrigou a me devolver os bens (que não eram muitos). Naquela época eu tinha 16 anos.

Eu estava sozinha novamente. Sem ninguém, sem casa. Foi então que decidi voltar para a casa de apoio. Lá encontrei pessoas que me amaram, me deram carinho e apoio emocional e espiritual. Minha vida foi renovada. Lá, conheci a Dna. Miriam.

Um dia, com muita tristeza, orei a Deus: "Pai, quero uma família! Estou cansada disso!". Comecei a ir à igreja e me relacionar de verdade com Deus. Um dia tive um sonho em que Deus me falava que eu teria uma filha. Aquela promessa virou idéia fixa para mim.

Depois de uns dias, Dna. Miriam se aproximou de mim e perguntou: Eliane, você não quer morar comigo? Eu fiquei sem saber o que dizer. "É claro!!" Fui morar com Dna. Miriam. A partir daquele dia ela se tornou a minha verdadeira mãe. Deus havia respondido minha oração. Eu ganhara uma família.

Decidi estudar em um seminário. Trabalhei durante alguns meses na casa de apoio como voluntária. Foi quando conheci um rapaz. Após um tempo, ele pediu para namorar comigo. Tivemos uma conversa séria. Falamos que eu possuía o vírus da AIDS. Ele respondeu: "eu já sabia!"

Um ano e três meses mais tarde nos casamos. Em um mês veio a notícia: eu estava grávida. Meu contentamento foi indescritível. Obviamente, que tive um acompanhamento médico muito cuidadoso.

Quando fui fazer o exame para saber o sexo da criança, falei para os médicos que seria uma menina. Eles riram. Mas eu tinha certeza de que Deus estava ouvindo minhas orações e que ele iria cumprir a promessa que havia feito. O resultado foi: uma menina. E o nome dela seria Talita.

Minha filha nasceu sadia e está comigo aqui hoje. Meu marido também é sadio. Deus ouviu minhas orações. E hoje eu digo: "Senhor, eis-me aqui!". Glória a Deus!

Algumas passagens bíblicas citadas no seminário:
Isaías 53; 1 Cr 22.16; Neemias 1; Mt 8.16; Lc 13.1-5; Rm 6.23; 2 Cor 8.9; Dt 28.48; Mt 27.46; Sl 69.19; Gl 3.13.

Sugestões de pauta para os jornais:

1. As tendências do vírus HIV/AIDS: feminização, pauperização, interiorização e h eterossexualização.
2. O que as igrejas e organizações sociais cristãs estão fazendo no combate à AIDS.
3. Como as Organizações não-governamentais podem ajudar o Governo no combate à AIDS.

Frases

"Que a igreja se desperte para a Graça de Deus".
Pr. Kleiner Eler de Moura, assistente social, diretor do Projeto Minha Casa e consultor em HIV/AIDS da Visão Mundial.

"A igreja deve ser o lugar da acolhida, uma comunidade que cuida das pessoas. Se não for assim, para que existimos?"
Serguem Jessui Machado da Silva, secretário executivo da Visão Mundial - Brasil.

"Estamos substituindo a Grande Comissão pela Grande Omissão no que diz respeito ao combate a AIDS".
Carla van deer Kooij , diretora da Casa Refúgio, da JOCUM.

 "A AIDS não afeta apenas a igreja, mas a sociedade de um modo geral."
James Pinheiro

"Romper com a indiferença tem que estar no seio de todas as nossas ações."
Helvécio Magalhães, secretário Municipal de Saúde.

"Há um sonho, uma motivação e uma esperança. Isto é o que nos traz aqui".
Lúcia Leiga, da Igreja Metodista.

Você pode encontrar estatísticas sobre o vírus HIV/AIDS nos sites: www.aids.gov.br ; www.pbh.gov.br/smsa/aids ; www.unaids.org

 

- Seminário Igreja e AIDS
- Justificativa e objetivos do Seminário
- Igreja e AIDS
- Uma Proposta Para Educação Sexual e Saúde Reprodutiva
- Testemunhos
- Avaliacao
- "Gene mestre" determina a preferência sexual
- Rede Evangélica de Solidariedade em HIV/AIDS 

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